• Carlos Donisete

Vidas coloridas importam

Militante Carlos Donisete destaca o debate de gênero que começa a ganhar espaço no Movimento Nacional da População de Rua

A maioria das pessoas em situação de rua é masculina, heterossexual, solteira, adulta e parda, segundo pesquisa realizada pela Secretaria Municipal do Trabalho, Desenvolvimento Social e Combate à Fome (Setra). Talvez por conta disso, outros perfis que também moram nas ruas muitas vezes são invisibilizados. Para tentar mudar essa realidade, tivemos a criação do segmento de Mulher e do segmento LGBT do Movimento Nacional da População de Rua (MNPR).

O Movimento realizou, no último dia 31, em São Luís, o IV Seminário de Formação de Base com o tema “Da Invisibilidade ao Protagonismo” e com o subtema “Conhecer seus Direitos e Deveres para Lutar”. O evento contou com a participação de pessoas em situação de rua e de entidades parceiras. Como resultados dessa formação, foram criados os grupos de mulher e LGBT. Agora, estudos são necessários para entender esse fenômeno que é a situação de rua em toda a sua complexidade. O que é ser mulher na rua? O que é ser LGBT na rua? Ficam as provocações para os interessados em geral (universitários, artistas e terceiro setor). Incluir as mulheres e a população LGBT mostra um passo importante em direção à adequação às demandas atuais.

Em Fortaleza, o poder público ainda tem por base o número de 1.718 pessoas em situação de rua, um dado nada atual, que tem por base um censo realizado em 2015. Apenas o Centro Pop do centro da capital tem mais de 4 mil cadastros. O prefeito Roberto Claudio afirmou em diversas circunstâncias que será realizada, ainda este ano, uma pesquisa para atualização e adequação da política pública para esse grupo. Lembrando que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desconsiderou essa população no Censo de 2010 e, como afirmou em entrevista à imprensa o diretor de pesquisa do órgão, Eduardo Neto, o órgão continuará desconsiderando no Censo de 2020.

É preciso promover política pública para a efetivação dos direitos de todos os cidadãos. Essa política se faz com dois elementos principais: dados e orçamentos. Sem isso, não tem política. Esse público continua invisível, mas, aos poucos, se empodera e conquista os seus direitos. Queremos conhecer para lutar e, mais além, conhecer para cuidar. Força no batom!

* Este artigo de opinião foi produzido no âmbito da Formação de Articulistas da Liga, formação oferecida a representantes de movimentos sociais pela Liga Experimental de Comunicação, projeto de extensão dos cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda da Universidade Federal do Ceará (UFC).