Pandemia é mais um momento desafiador para a classe trabalhadora

01/05/2020

O primeiro dia do mês de maio é considerado feriado em alguns países do mundo por fazer referência ao dia do trabalhador. Esta data marca a luta de indivíduos que vivem do próprio trabalho e lutam por uma vida com dignidade e por direitos sociais básicos para sobreviver.

 

No cenário atual, em que a população mundial vive a pandemia causada pela covid-19, doença resultante do novo coronavírus, muitos profissionais estão em situações de vulnerabilidade. Não só os profissionais da saúde e outros trabalhadores formais que precisam continuar prestando seus serviços por estes serem considerados essenciais, mas os informais também.

 

Foto: Shutterstock

 

Trabalhadores informais são aqueles que não possuem vínculos registrados em carteira de trabalho ou em outro documento similar. O número de trabalhadores atuando nessa categoria cresceu. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019 a taxa média de informalidade no Ceará marcou 54,9%, a quinta maior do Brasil e a terceira maior da região Nordeste. Nessas condições estão os motoristas de aplicativos.

 

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Para salvar vidas, governadores de Estados do Brasil estão seguindo as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), declarando estado de quarentena. Com isso, há um número menor de pessoas nas ruas, consequentemente, menos pessoas utilizando serviços prestado por motoristas de aplicativos, comprando alimentos em banquinhas, frequentando bares e apresentações culturais, por exemplo, o que provoca uma diminuição na renda desses trabalhadores ou, em casos extremos, chegando a zerá-la.

 

MOTORISTA NA PANDEMIA

Wagner Freitas, 25, é motorista da Uber há três anos. Ele estava precisando de dinheiro quando decidiu se tornar motorista da empresa. Acreditando na possibilidade de poder montar seu próprio horário, ele busca ser muito disciplinado em sua rotina. O motorista trabalha cinco dias da semana, de 5h30 às 12h e volta ao serviço 13h40, indo até as 17h. Ao todo, portanto, trabalha em média 11 horas e meia.

 

​​Durante a pandemia, Wagner precisou parar de trabalhar para sua segurança. “Financeiramente, eu fui extremamente afetado. Além disso, nos grupos de motoristas que trabalham para a empresa, colegas relatam a situação que estão passando. Alguns motoristas de Fortaleza trabalham seis ou sete horas para conseguir 60/70 reais”, afirma. Vale lembrar a existência de despesas como gasolina e manutenção do carro.

 

Wagner está se mantendo com o auxílio emergencial, benefício governamental destinado a trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados. Ele conta que gosta do trabalho que exerce. Gosta de dirigir, atender as pessoas e ter disciplina. No entanto, acredita que o trabalho na Uber é “apenas um degrau”, e gostaria de empreender, levantar um negócio próprio.

 

A HISTÓRIA DO DIA 1 DE MAIO

O 1 de maio é dia do trabalhador. A data surgiu como movimento político de reivindicação de direitos trabalhistas. Especificamente nos Estados Unidos, nesta data, em 1886, trabalhadores de Chicago foram às ruas para protestar contra as jornada exaustiva de 13 horas, chegando até 17 horas. Ao longo de décadas antes desse marco histórico, homens e mulheres vinham lutando por dignidade visando melhores condições de trabalho, incluindo uma carga horária reduzida, pois era comum que trabalhassem mais de 15 horas nas fábricas, que também costumavam explorar o trabalho de crianças.

 

No Brasil, em 26 de setembro de 1924, o presidente Arthur da Silva Bernardes tornou esta data oficial, após a criação do decreto nº 4.859. Todos os anos, atos são realizados para relembrar e apresentar pautas de reivindicações de direitos sociais, pois eles não são entregues, são conquistados. E essas conquistas são resultados de diversos conflitos sociais.

 

No contexto da pandemia, diante da impossibilidade de aglomerações, estão sendo realizados debates e apresentações online. No Ceará, as organizações sindicais CUT, CTB, Intersindical e as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo realizam ato unificado, que pode ser acompanhado pela internet, nas páginas desses grupos. Atrações culturais também serão apresentadas na manifestação virtual.

 

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