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ZONA DE CONFORTO


O texto de hoje será sobre Natal e moradores de rua em Fortaleza.


O Natal dos moradores de rua de Fortaleza começou na última quinta feira, 16, à noite de setembro, quando a guarda municipal retirou as pessoas à força da praça do Ferreira e levaram seus pertences. Isto foi um aperitivo do “Natal de Luz" que aconteceria mais tarde. O que não se esperava era a reação da sociedade civil organizada, denunciando estas violações dos direitos, inclusive morar numa praça pública viola os direitos de ir e vir das outras pessoas; pronto falei! Estas ações foram comandadas na zona de conforto dos gabinetes. Aproveitando o ensejo, morar na rua está mais para “ sombra" do que para zona de conforto.


Foram realizados o censo da população de rua, pesquisas quantitativas e qualitativas e o resultado não saiu à tempo para entrar no orçamento político de 2022; logo toda ação pública será feita levando em consideração os dados: 1718 pessoas em situação de rua de 2015. Os “invisíveis" tornando-se mais "invisíveis".


No início de dezembro foi realizado o seminário sobre moradia para as pessoas em situação de rua e para quem está em superação da situação de rua; falamos sobre o desmonte da política pública no âmbito geral e na má vontade quanto se trata população de rua. E que políticas como aluguel social, moradia de interesse social, minha casa/minha vida precisam serem acompanhadas de ações intersetoriais: saúde, educação, emprego e renda...

Os equipamentos/serviços públicos estão sobrecarregados. Foram elaborados alguns direcionamentos, de cobrança e até mesmo lembranças ao poder público.


Em dezembro ocorre um aumento da população de rua, devido as fragilidades da população periférica e aumento das doações (cortina de fumaça). O Espírito Natalino trabalha com a “culpa": culpa por ser pobre, culpa por morar na rua, culpa por ser rico...m as em janeiro os doadores vão (zona de conforto) passear, recolher os impostos, as doações reduzem e a “normalidade" se instaura e o tempo passa. O país só começa depois do Carnaval nos locais onde não teremos Carnaval não se começa, é isto?!


Grupo Amor

Aproveito a ocasião para me despedir de vocês, foi excelente falar para outras bolhas, não fazer a vítima, não ter um discurso pronto; as provocações foram muitas começando por mim mesmo (que de zona de conforto não tem nada). Evitarei citar nomes, mas ter feito aquela formação na Comunicação Social/ Liga, escrever e ser publicado foi massa demais. Logicamente que a pandemia( nunca é demais falar), baldeou tudo e vocês da UFC, ajudaram-me a sobreviver. Sou fã de vocês, muito obrigado. Até breve.


P.S.: quem espera sempre cansa; dou o maior valor à árvore de Natal da Praça do Ferreira .


* Carlos Donisete é sociólogo e integra o Movimento Nacional de População de Rua.



** O conteúdo deste artigo de opinião é de responsabilidade de seu autor e não necessariamente reflete a linha editorial do Portal da Liga.



* Este artigo de opinião foi produzido no âmbito da Formação de Articulistas da Liga, formação oferecida a representantes de movimentos sociais pela Liga Experimental de Comunicação, projeto de extensão dos cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda da Universidade Federal do Ceará (UFC).

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